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Número de agricultores familiares deve se reduzir em 50 anos

Velocidade de acesso a políticas públicas específicas é insuficiente para responder às demandas do desenvolvimento no campo.

 

As políticas públicas para o desenvolvimento da agricultura familiar não estão dando conta de acompanhar o tamanho da demanda e a velocidade das transformações no campo, com reflexos diretos num dos temas mais delicados na zona rural: a sucessão familiar. Este foi um dos principais recados do Fórum Canal Rural: Desafios da agricultura familiar – Produção, renda e sucessão, realizado nesta semana, em Esteio (RS).

De acordo com o oficial nacional de programas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) no Brasil, Carlos Antonio Ferraro Biasi, o número de agricultores familiares no Brasil deve se reduzir em 50 anos, caso não se consiga reverter a tendência de redução da população jovem no campo. Na região Sul, houve uma redução de 48% na população rural desde a década de 70. Segundo Biasi, a migração é seletiva por idade e por gênero – quem mais saiu do campo foram os jovens e as mulheres.

– O número de jovens de 14 a 24 anos é muito pequeno na zona rural nos 3 Estados do Sul e, o mais preocupante, é inferior ao número de propriedades agrícolas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, existe 382 mil propriedades da agricultura familiar, e apenas 283 mil jovens nessa faixa etária morando na zona rural. Como a agricultura familiar vai avançar assim? – questiona Biasi.

Todos os presentes no Fórum concordaram que o tema é crucial para o futuro da agricultura a familiar. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, reforçou que este é um dos grandes desafios do momento.

– Não vamos ficar no campo por romantismo, mas por uma opção de renda e qualidade de vida – diz Broch.

Para o presidente da Contag, mesmo com todos avanços dos últimos anos com relação a acesso ao crédito fundiário e para a produção, ainda há muito a ser feito, como melhorar o acesso dos jovens do campo à educação e à internet. Além disso, Broch destacou que é preciso avançar muito no marco regulatório específico para a agricultura familiar, já que as exigências da legislação sanitária dificultam a comercialização da produção das pequenas agroindústrias geridas por famílias.

– Não quer dizer que a gente não quer sanidade e fiscalização, mas precisamos que as normas sejam adaptadas à realidade do pequeno.

Seguro

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, que também participou do fórum, destacou as políticas públicas implementadas nos últimos anos para a agricultura familiar, como o aumento do volume de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

 

Rossetto também destacou a política de seguro da produção da agricultura familiar, que a partir de janeiro de 2015 aumentará o limite de cobertura de R$ 7 mil para R$ 20 mil.