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Mais de uma tonelada de costela no maior churrasco do Rio Grande do Sul

A geada cobriu os campos da cidade de Erechim, localizada no norte do Rio Grande do Sul. Os termômetros mostravam, às 6h, que fazia apenas 1 grau naquela região, sobre a cordilheira da Serra Geral. Mas nada disso foi obstáculo para os assadores do tradicional Costelão 12 Horas do Dia do Trabalho, considerado o maior churrasco de um Estado que se orgulha de ser esse o seu principal cartão postal gastronômico.

O sol estava nascendo quando exatos 1.100kg de costela começaram a ser preparados para serem assados em fogo de chão. Enquanto a fumaça provocava o apetite dos participantes, grupos nativistas faziam apresentação de canto e de danças gauchescas.

O "Costelão 12 Horas" é uma marca de Erechim e a organização da festa é do Centro de Tradições Gaúchas Sentinela da Querência. Preço bem acessível à comunidade. R$ 20, para adultos e R$ 1, para crianças de seis a dez anos. No acompanhamento, arroz branco, mandioca com bacon, saladas e pão.

Osso virado para o fogo

Para fazer esse atraente Costelão, o primeiro passo é deixar que a lenha se transforme em brasa. Só então as carnes são salgadas, espetadas – peças inteiras de costela bovina – e posicionadas ao redor do fogo. Começa aí a contagem do tempo, sendo que apesar de ser denominada "12 horas" nem sempre demora tanto.

Detalhe fundamental, ensinam os assadores: os ossos da costela devem permanecer virados para o fogo. Com o passar das horas a carne encolhe e os enormes ossos saltam para fora. Somente quando faltam de 30 a 40 minutos para ficar pronta, é que os espetos são virados e a parte da carne fica de frente para o fogo. Assim pega um "bronzeado" e a aparência se torna mais combinante com o sabor.

Um dos apaixonados por esse tipo de churrasco, o jornalista Eduardo Cecconi, publicou há algum tempo texto em homenagem ao Costelão 12 Horas. Nele, afirmou que "a coisa é tão trabalhosa que precisa de dois para assar um espeto". Mas, acrescentou, "fica mais gostoso que beijo de prima". E, por fim, lembrou que a gauchada se lambusa tanto comendo a costela que acaba o churrasco com a cara "mais lustrosa que telefone de açougueiro".

"É disso que o velho gosta"

A grande festa fez parte das comemorações do 94º aniversário de Erechim. Mas havia muitas outras atrações muito especiais na cidade, como o show realizado na praça Jayme Lago, e que reuniu a dupla regionalista de maior sucesso no Rio Grande do Sul, Osvaldir e Carlos Magrão, com o cantor sertanejo Sérgio Reis – ele mesmo, o que há dois meses, num show na cidade de Três Marias (MG), despencou de um palco com altura de dois metros e sofreu fraturas múltiplas no corpo.

Pois Sergio Reis voltou à ativa e no começo da noite desta terça-feira, Dia do Trabalhador, valorizou a churrascada de Erechim e cantou, entre outros, aquele velho sucesso no qual a letra fala dos prazeres do velho pai gaúcho: "Churrasco e bom chimarrão / fandango, trago e mulher / é disso que o velho gosta / é isso que o velho quer".

Artigo escrito por Nico Noronha, jornalista, com passagem pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre e portal UOL.