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Restaurantes são multiplicadores e indutores de escolhas e geração econômica

Restaurantes são multiplicadores e indutores de escolhas e geração econômica


Em debate em São Paulo promovido pelo jornal Folha de São Paulo, o chef Alex Atala em determinado momento quis baixar as
expectativas da plateia e com sabedoria disse que a gastronomia não é tudo isso, que a soma do que os restaurantes e o mercado
como um todo gera é muito pouco e representa quase nada para a arrecadação pública.

Por um lado está plenamente certo, o conjunto do setor enquanto empresas na prestação de serviços em restaurantes soma muito pouco em faturamento e não tem nenhuma comparação com setores expressivos da indústria, por exemplo.

Por outro lado nem sempre a força de um setor pode ser medida pela sua contribuição econômica direta. O setor de restaurantes que é composto por mais de 1 milhão de estabelecimentos em todo país é forte empregador. Não é lembrado como contagem de vagas de emprego pelo fato de ser muito pulverizado.

Ainda e mais determinante: o que é apresentado pelos restaurantes para os clientes, quase sempre é fruto de experimento, estudo, inovação, viagens, procura de ingredientes e elaboração gastronômica. O cliente tem na ida ao restaurante a oportunidade de estar em contato com uma refeição fora do lar diferente da que tem em casa.

Dessa ida ao restaurante é que ele tira a sua própria experiência e a aplica em sua casa , em sua família e em seu universo do dia a dia. É da ida ao restaurante que muitas vezes percebe que pode dar um tratamento mais gourmet para os legumes e verduras, pode ser mais criativo na salada e pode usar muito mais ingredientes do que usa normalmente.

Com isso o consumidor também quer melhorar sua qualidade de vida preparando para si um cardápio mais diferenciado e quem sabe mais inspirado em finais de semana. Assim ele compra mais em supermercados, em lojas especializadas, quer um eletrodoméstico melhor, movimenta e muito a roda da economia.

A gastronomia oferece a esse cliente uma inspiração, quase sempre valorizando o alimento e ritualizando a refeição como um ponto de encontro humanizador. Isso não é pouco. A gastronomia e seus conceitos são responsáveis por diversos novos espaços em prateleiras de supermercados, de molhos, temperos, alimentos mais saudáveis, que procedem da rotina dos restaurantes e levam depois para o setor de alimentação e mercado como um todo.

Neste aspecto a gastronomia e os restaurantes são locais de multiplicação da alimentação e por isso que cidades como São Paulo valorizam tanto seus chefs e os frequentam, buscando um patamar de estilo de vida mais bem sucedido e feliz.

Como se diz, tudo em uma família e a história do mundo gira em torno de uma mesa e das refeições. A gastronomia é um combustível de conhecimento para valorizar estes momentos e transcender para outros instantes do dia a dia.

Essa inspiração coloca nos ombros dos chefs e restaurantes muita responsabilidade, inclusive a da modéstia, como ficou evidente na expressão do Chef Alex Atala.

É assim imperativo , como exemplo multiplicador, o valor da ética estar presente em todos os processos dos restaurantes: na forma de aquisição dos alimentos, transparência no preparo e conservação e fazer do que pode ser feito uma lição de modéstia e talento aos clientes, sem truques.